BIA ON
- Definitivamente tudo isso foi um tremendo choque pra mim, eu, uma garota de 16 anos, com a vida aparentemente normal, cheia de amigos, festas, paqueras, tudo que uma adolescente tem, descobrir que tem câncer, como assim, por quê comigo ? Me perdi em meus pensamentos tão profundos que adormeci, quando acordei meu pai permanecia á beira da maca, minha mãe havia ido pra casa, pois nós havíamos deixado o Júlio sozinho, mas logo menos ela voltaria, então peguei na mão do meu pai e ele falou - :
Pai : Biazinha meu amor, preste atenção, no choque do momento nós não te contamos, esse câncer, aparentemente não é maligno.
Bia: PAI COMO ASSIM? É UM CÂNCER, COMO NÃO É MALIGNO ?
Pai: Posso terminar ?
Bia: Tá, desculpa, continua...
Pai: Falamos com o médico e ele disse que isso é um câncer benigno, causa dores mas você não corre muitos riscos de vida, pode ser curada sim, mas não aqui no Brasil, por isso vamos te mandar pra Londres, lá o tratamento é avançado e você vai ter mais recursos pra se recuperar mais rápido.
Bia: Pai...Mas, eu não quero ficar longe de você, posso perder amigos, festas, tudo. Menos você, por favor pai...
Pai: Como eu disse, vou sempre lá lhe visitar, mas não posso deixar meu trabalho, é meu sustento e nosso sustento, como você quer que eu pague seu tratamento? E ainda tem o Júlio, isso também vai ser um trauma pra ele, pode não parecer, mas ele te ama muito, alguém tem que ficar aqui cuidando dele.
Bia: Eu sei pai, tô tão assustada, mesmo isso não sendo tão grave, é assustador, nunca me imaginei assim, pai, tô com medo.
Pai: Não se preocupa, você vai ficar bem e tudo vai voltar ao normal, tenha fé, como sempre teve.
- Nessa hora vi o Júlio e a mamãe chegando, aquele moleque me irritava mas agora ele realmente parecia estar preocupado, não consegui sentir ódio, é como se aquela situação me fizesse ter amor pelos outros. Talvez houvesse um lado bom nisso. Mas que reviravolta da vida, hoje pela manhã estava eu escrevendo no meu diário, e agora estou aqui, numa cama de hospital, com câncer. Júlio chegou perto de mim e percebi que ele estava se contendo pra não chorar, uau ele tinha sentimentos. -
Júlio : Oi bocó, como você tá ?
Bia: Como você acha que eu tô ?
Júlio: Só fique sabendo que eu não quero brigar, desculpa por ter pego seu diário, desculpa mesmo, não sabia que você ia ficar doente por causa disso.
- Foi nessa hora que senti um afeto por ele, ele achava que foi o diário que me fez ficar doente, mesmo morrendo de dor consegui sorrir, o que fez ele se reconfortar. Conversamos um pouco, dessa vez como irmãos de verdade, o que me deixou até mais calma e impressionantemente fez minha dor diminuir. Passaram-se 2 dias na minha repetitiva rotina de exames, soro, afeto, mais exames, remédios, sedativos pra diminuir a dor... E finalmente chegou o dia de embarcar pra minha nova vida. Tive alta do hospital apenas pra arrumar minhas coisas e ir para o aeroporto, peguei 5 malas gigantes, sempre fui exagerada, mas dessa vez eu ia precisar mesmo, não eram apenas dias, talvez eu passasse anos lá, então juntei todo o dinheiro que eu tinha e coloquei junto com as roupas. Terminei a arrumação, juntei meus pertences mais importantes, cartas de amigas, fotos, presentes fofos e desci. Lá embaixo encontrei a Júlia, minha melhor amiga, em prantos pra se despedir de mim. Junto dela o Mário, meu ex-namorado, nem lembrava mais que ele existia, já faz 2 anos que terminamos. Ele estava com uma aparência de raiva, ódio, rancor, ignorei-o, abracei a Jú, choramos muito e eu parti. No avião as lembranças da infância, juventude, o medo e a ansiedade do futuro me atingiam em cheio, olhar pela janela e apreciar a paisagem me acalmou um pouco, estava dando adeus as últimas fronteiras do Brasil, em direção a Londres... Seja o que Deus quiser. -
- Definitivamente tudo isso foi um tremendo choque pra mim, eu, uma garota de 16 anos, com a vida aparentemente normal, cheia de amigos, festas, paqueras, tudo que uma adolescente tem, descobrir que tem câncer, como assim, por quê comigo ? Me perdi em meus pensamentos tão profundos que adormeci, quando acordei meu pai permanecia á beira da maca, minha mãe havia ido pra casa, pois nós havíamos deixado o Júlio sozinho, mas logo menos ela voltaria, então peguei na mão do meu pai e ele falou - :
Pai : Biazinha meu amor, preste atenção, no choque do momento nós não te contamos, esse câncer, aparentemente não é maligno.
Bia: PAI COMO ASSIM? É UM CÂNCER, COMO NÃO É MALIGNO ?
Pai: Posso terminar ?
Bia: Tá, desculpa, continua...
Pai: Falamos com o médico e ele disse que isso é um câncer benigno, causa dores mas você não corre muitos riscos de vida, pode ser curada sim, mas não aqui no Brasil, por isso vamos te mandar pra Londres, lá o tratamento é avançado e você vai ter mais recursos pra se recuperar mais rápido.
Bia: Pai...Mas, eu não quero ficar longe de você, posso perder amigos, festas, tudo. Menos você, por favor pai...
Pai: Como eu disse, vou sempre lá lhe visitar, mas não posso deixar meu trabalho, é meu sustento e nosso sustento, como você quer que eu pague seu tratamento? E ainda tem o Júlio, isso também vai ser um trauma pra ele, pode não parecer, mas ele te ama muito, alguém tem que ficar aqui cuidando dele.
Bia: Eu sei pai, tô tão assustada, mesmo isso não sendo tão grave, é assustador, nunca me imaginei assim, pai, tô com medo.
Pai: Não se preocupa, você vai ficar bem e tudo vai voltar ao normal, tenha fé, como sempre teve.
- Nessa hora vi o Júlio e a mamãe chegando, aquele moleque me irritava mas agora ele realmente parecia estar preocupado, não consegui sentir ódio, é como se aquela situação me fizesse ter amor pelos outros. Talvez houvesse um lado bom nisso. Mas que reviravolta da vida, hoje pela manhã estava eu escrevendo no meu diário, e agora estou aqui, numa cama de hospital, com câncer. Júlio chegou perto de mim e percebi que ele estava se contendo pra não chorar, uau ele tinha sentimentos. -
Júlio : Oi bocó, como você tá ?
Bia: Como você acha que eu tô ?
Júlio: Só fique sabendo que eu não quero brigar, desculpa por ter pego seu diário, desculpa mesmo, não sabia que você ia ficar doente por causa disso.
- Foi nessa hora que senti um afeto por ele, ele achava que foi o diário que me fez ficar doente, mesmo morrendo de dor consegui sorrir, o que fez ele se reconfortar. Conversamos um pouco, dessa vez como irmãos de verdade, o que me deixou até mais calma e impressionantemente fez minha dor diminuir. Passaram-se 2 dias na minha repetitiva rotina de exames, soro, afeto, mais exames, remédios, sedativos pra diminuir a dor... E finalmente chegou o dia de embarcar pra minha nova vida. Tive alta do hospital apenas pra arrumar minhas coisas e ir para o aeroporto, peguei 5 malas gigantes, sempre fui exagerada, mas dessa vez eu ia precisar mesmo, não eram apenas dias, talvez eu passasse anos lá, então juntei todo o dinheiro que eu tinha e coloquei junto com as roupas. Terminei a arrumação, juntei meus pertences mais importantes, cartas de amigas, fotos, presentes fofos e desci. Lá embaixo encontrei a Júlia, minha melhor amiga, em prantos pra se despedir de mim. Junto dela o Mário, meu ex-namorado, nem lembrava mais que ele existia, já faz 2 anos que terminamos. Ele estava com uma aparência de raiva, ódio, rancor, ignorei-o, abracei a Jú, choramos muito e eu parti. No avião as lembranças da infância, juventude, o medo e a ansiedade do futuro me atingiam em cheio, olhar pela janela e apreciar a paisagem me acalmou um pouco, estava dando adeus as últimas fronteiras do Brasil, em direção a Londres... Seja o que Deus quiser. -
